ago
17
2010

Reflexões sobre os Momentos de Crise. (*)

por Aline Rangel.

“Você pode vencer, se você quiser. Escolha ser feliz. Administre sua situação como possível, e siga adiante, sem a paranóia de se autocondenar a todo instante. Isso não prático, nem saudável, nem espiritual.”

Benjamin de Aguiar pelo Espírito Eugênia.

Compreender as oscilações próprias à condição humana sem cair no desânimo e na acomodação é trabalho importantíssimo a ser realizado continuamente por aqueles que pretendem ser mais saudáveis, produtivos e felizes. O espírito Eugênia, através da psicografia de Benjamin, nos alerta para a inevitabilidade de atravessarmos períodos de “baixa”, de experienciarmos momentos “ruins”, de nos flagrarmos percebendo pontos obscuros, vulneráveis e mesmo não desejáveis de nós mesmos, ou ainda de não estarmos, tão somente, em nosso “máximo”, mantendo, portanto, com dificuldade, padrão razoável de disciplinas e qualidade no que fazemos. Permitir-se atravessar tais períodos, esforçando-se por manter o bom senso e as medidas possíveis de serviço no Bem, e aceitar os aprendizados contidos nestes momentos é um desafio que pode melhorar e fortalecer a relação que mantemos com nós mesmos.

A autoestima bem cuidada, o amor próprio bem desenvolvido se fazem instrumentos fundamentais neste processo de reconhecimento maduro de si mesmo, que permite contemplar o melhor e enxergar o pior, aceitar o mediano, valorizar as conquistas tolas, deparar-se com o monstruoso, o reprovável, o destrutivo… A postura autocrítica consciente observa atenta e cuidadosamente estes aspectos, procurando meios de superar dificuldades internas e externas, de ressignificar experiências frustrantes, de reciclar conhecimentos, de rever valores ultrapassados, sem autodesvalorização e autocondenação, sem autoacusações e autopunições psicológicas sistemáticas, o que pode acabar “ampliando, ainda mais a extensão das áreas frágeis e ainda afetando departamentos fortes da alma”. A administração psicológica, diplomática e prática de situações críticas da vida bem como das fases de menos produtividade ou crescimento nos prepara para a vivência de momentos de vitórias mais expressivas, responsabilidades maiores, conquistas espetaculares, aprendizados mais profundos e significativos com mais coerência e cuidado, atenção e tranquilidade, sem os delírios egóicos de supervalorização do somos ou temos. Entramos, assim, em contato com a transitoriedade das experiências da vida e nos percebemos seres em processo, em construção, em busca de nossa verdadeira essência, tão perto e tão distante da gente…

Por fim, nossa Mestra da Felicidade ressalta a importância de nos olharmos com respeito e carinho quando não estamos “dando conta do recado” como gostaríamos, confiantes de que melhores tempos virão, a começar de um presente mais bem vivido. Tornarmo-nos parceiros mais fiéis e confiáveis de nós mesmos, sem sermos condescendentes com o inadmissível, irresponsáveis com o que nos cabe mudar com urgência, negligentes com o que já podemos aplicar do que aprendemos, pouco resolutivos quando podemos, tão somente, pedir ajuda para começar algo mais difícil… Se não nos acolhemos de maneira lúcida e responsável, fazendo o que nos é possível por alcançar resultados melhores, sem nos exigir, todavia, o que no momento não temos condições de ofertar, quem fará isso por nós? E ainda que existam corações generosos, que nos estimulem, como podemos seguir-lhes as sugestões, ou mesmo reconhecer-lhes as intenções amorosas, se de nosso coração não parte esta postura compreensiva, mas comprometida de forma prática com a mudança, de focar e esperar o melhor de forma paciente, trabalhando um pouco todos os dias, sem a ansiedade destrutiva que mascara o desejo de controle e manipulação das circunstâncias segundo nossos caprichos e mimos, tão infantis, tão vazios de sentido, tão distantes da alma… Vencer-se nos momentos de “baixa” é reconhecermos o quanto somos insignificantes e, ao mesmo tempo, singulares e importantes para o Criador, fonte de todo Amor e Bondade, que nos transforma… e nos conduz à Paz.

(*) O artigo a que este texto faz referência e de onde foram extraídos os trechos em destaque é “Fazendo as Pazes Consigo Mesmo.”, Benjamin de Aguiar pelo Espírito Eugênia.

Written by in: Aline Rangel |

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