por Aline Rangel.
A noite estava calma, convidando Dr. Pedro à reflexão acerca dos últimos episódios em sua vida. Não costumava dedicar-se a esse tipo de conversa íntima, muito menos consumir o precioso tempo, que sempre lhe parecia escapar das mãos, com avaliações tão subjetivas dos fatos. Mas o repouso forçado a que fora submetido depois da última hospitalização, concedia-lhe, inevitavelmente, espaço a que pensamentos insistentes o perturbassem com perguntas que preferiria esconder de si mesmo. Era um homem forte, decidido, corajoso, ambicioso, bem posicionado na vida… Por que tantos questionamentos agora sobre a forma como percebia a vida e seu papel no mundo? Filhos criados, segundo casamento em vias de se concretizar com modelo jovem e estonteantemente linda, carro do ano, vida financeira invejável… A saúde? Bem… Era um exagero dos médicos que o assistiram propor este afastamento das atividades profissionais… Isso, sim, iria adoecê-lo!
Deu-se conta, por um instante, da caminhada iniciada quase que automaticamente pelo jardim muito bem cuidado de sua residência, imponente e elegante. Estava muito agradável ali… Quase nunca andava por aqueles espaços, cenários de um passado de algumas poucas alegrias. Os filhos corriam em meio aquelas folhagens, escondiam-se uns dos outros e era uma festa! Que ele dificilmente acompanhava, porque sempre saía muito cedo, retornando ao lar quase no início da madrugada. Sua esposa à época algumas vezes o esperava para contar-lhe as peripécias do dia, encantada com o crescimento dos pimpolhos e suas novas habilidades e descobertas a cada dia. Não lhe dava atenção, obviamente, porque àquela altura do dia o cansaço e as preocupações com o que o aguardava ao amanhecer consumiam sua paciência e disposição. Ela era uma artista… Não conseguia acompanhar tanta sensibilidade… Sua morte tão estranha e repentina deixara-o em pedaços, mas se “recuperou” rapidamente. Sentou-se próximo a antigo canteiro de rosas vermelhas(que já não existiam mais…), em cadeira escolhida por ela para suas meditações matutinas, recostou a cabeça e olhou para o vazio de sua existência…
Não sabia parar… Não sabia aconchegar a filha quando se desiludiu afetivamente pela primeira vez, não soube ouvir o filho que desejava ser arquiteto (ao invés de advogado, como esperava), não visitou a mãe enferma e carente, próxima da morte (esperava que vivesse mais alguns anos…), não acompanhou a chegada do primeiro neto (estava viajando a trabalho…), não chorou ao perder sua mulher… Sentiu forte dor no peito, sufocando-o ao se lembrar destas e de outras perdas, irreparáveis, das quais nunca houvera se dado conta, quando o celular tocou. Era seu neto, já com sete aninhos, perguntando serenamente… ”Vovô, tudo bem? Posso ir aí? Estou com saudade de você!” Respondeu com esforço, tentando disfarçar o mal estar. “Sim, meu filho! Venha! Estou esperando…” A dor se misturou com o susto do bem e desarmou-o. Não conseguia chorar, mas deixou algumas poucas lágrimas caírem, sem saber direito o que estava acontecendo. “Devia ser a idade mesmo chegando… Essa coisa de ficar doente deixa a gente assim, meio fraco…”
Atrás dele, belíssima luz, contornado vulto delicado de mulher, se fazia mais intensa. A esposa desencarnada acolhia mais uma vez o afeto de muitas vidas com sua energia de amor. Esta fora a última encarnação dos dois juntos – mais uma tentativa de retirá-lo do padrão autodestrutivo em que se encontrava há séculos, de quase total distanciamento dos próprios sentimentos. Agora sua assistência, enquanto fosse permitido por seus superiores, teria de acontecer à distância, sem que ele se desse conta. O neto do casal, espírito muito amigo de ambos, era ainda bastante acessível às inspirações da avó desencarnada, sendo seu canal mais direto em momentos graves, como o que atravessava. O encontro dos três, naquele noite, tinha função importante no futuro de ambos… Por quanto tempo o famoso e prestigiado Dr.Pedro estaria encarnado? A noite prometia bons resultados, mas a escolha pela felicidade era sempre tão difícil para ele…
Até a próxima semana!







Belíssimo texto Alininha! Quantas pessoas (encarnadas e desencarnadas) estão à nossa volta para nos ajudar a crescer…a sermos felizes? Muito reflexivo….Um beijo grande!
Adorei o texto Alininha!O quanto de Dr. Pedro temos e deixamos agir em nosso dia a dia, não é mesmo? Bem lembrado para valorizarmos os momentos com nossos entes queridos e permitirmos a lapidação de nossos corações pelo amor. Um abraço!
Que texto comovente, Aline. Como é tudo muito importante, cada pequena coisa do dia-a-dia! Muito obrigada mais uma vez. Com carinho.
Enquanto lia me perguntava justamente sobre o que o Dr.Pedro dentro de mim está deixando passar?lembrei de uma aulinha de Taís na Evangelização sobre a presença de Maria Santíssima nas pequenas coisas do cotidiano. Nossa quanta dificuldade em perceber a vida como o somatório das pequenas atitudes.Obrigado. Este texto inspiradíssimo nos abençoa com alertas e nos estimula a enfrentar nossos padrões mais resistentes e fazer a escolha pela felicidade! Muito obrigado!!
Obrigado, Lininha!
(U-hu! consegui passar por aqui, para tambem desfrutar dos frutos de seu nobre e devoto coracao! Pretendo ler todos os seus artigos anteriores, aos pouquinhos…)
Tocante e motivadora sua narrativa. Adorei essa sua nova faceta(!): embarcamos na historia, e viajamos juntos, nas reflexoes e alertas sempre muito valiosos, engrandecedores. Parabens por sua produtividade no Bem, pela disposicao disciplinada em servir, pelo estilo despretensioso, elegante, agradavel, por sua receptividade aa inspiracao dos bons Espiritos!
Q N Sra a abencoe sempre mais!
Bj no seu coracao amado,
Amigo-irmao De.
Que texto emocionante, gostei muito de ler está história tão agradável e significativa, que nos ensina muito sobre as coisas da vida, parabéns! Já estou ansioso pela continuação!
Beijos amorosos,
Léo.
Queridos, obrigada pelos comentários amorosos! Agradeço pelos estímulos a este trabalho que se faz um presente para mim todas as semanas!
Beijo em seus corações, feliz por estar nesta Escola Maravilhosa, Aline
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Hmmm…very great to find out, there have been without the need of a doubt numerous issues that I had not notion of before.
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