mar
15
2010

Encontrando o Amor.

por Aline Rangel.


Pedro foi dormir um tanto confuso. O neto lhe trouxera lembranças perturbadoras e informações um tanto incômodas. Não aceitava estas modernidades… “O certo é o certo, sempre! Essa história de ter cabeça aberta, de aceitar as diferenças… Sabia bem onde isso iria dar. Na próxima oportunidade, conversaria com o filho sobre esta escola onde Lucas estava matriculado. Que conversas estranhas para crianças tão pequenas! Se adulto já se deixa influenciar por tantas bobagens, imagine uma criança inocente!” Bem, mas agora precisava dormir. Seu corpo, era obrigado a reconhecer, já não funcionava mais com tanta força. Estava bastante preocupado com seu estado de saúde, mas não queria transparecer… “Afinal de contas não era um fraco!” Tomou ducha relaxante e foi se deitar, sentindo sonolência bastante diferente do habitual… “Deviam ser os remédios”, pensava meio aborrecido.

Algumas horas mais tarde, já em sono profundo, o arrogante e inflexível Dr., devidamente auxiliado por dois técnicos desencarnados, meio confuso, como se estivesse dopado, depara-se em processo de desdobramento, com a figura luminosa de sua esposa desencarnada. Por não estar completamente consciente, vivendo a experiência com um sonho, teve dificuldade de reagir, compreender o que se passava. Em contato com a vibração amorosa de sua alma gêmea, sentiu o peito estremecer um pouco e começou a chorar, vulnerabilizando-se e, aos poucos, tornando-se mais acessível à importante e transformadora experiência por que iria passar. Não conseguia falar nada, apenas olhava fixamente para ela, que lhe sorria muito. O neto, desdobrado, também estava no quarto, acompanhando o encontro que seria revelador. Lucas era o mentor espiritual de Pedro, seu protetor de muitas encarnações. Resolveu descer na condição de neto, desta vez, para auxiliar-lhe em experiências importantes programadas para a velhice.

-Querido Pedro, estou muito triste e preocupada com os rumos que têm dado a sua vida… – falava Júlia, agora séria, com serenidade e bastante firmeza – Você se comprometeu comigo, antes do meu desencarne, de colaborar com obras sociais. Não tem feito nada, desde então, para que este projeto se concretize! Além disso, dedica-se quase que exclusivamente aos negócios, deixando de lado seus mais respeitáveis e sinceros afetos. Sua saúde anda seriamente comprometida… Não foi isso que combinou comigo antes de reencarnarmos! A minha morte prematura foi programada para sensibilizar seu coração… Está lembrado desta condição, para que eu estivesse alguns anos com você, ajudando-lhe?

Pedro baixou os olhos, sem condições de proferir qualquer palavra que fosse…

- Nosso neto estará com você, sim, se fizer por merecer… Podemos providenciar viagem de mudança permanente de toda a família para outro país ou tomar providências mais drásticas… As chances estão se escasseando, meu querido! É preciso começar logo! Nesta semana, um grupo muito responsável e vanguardista que se dedica à espiritualidade com seriedade e abertura irá procurá-lo para patrocinar  atividades que lá são desenvolvidas no campo do bem. Fique atento, abra seu coração, porque estarei próxima a você, apoiando-lhe neste momento importante. Se não aproveitar este ensejo de renovação, terei de me afastar ainda mais, de acordo com a recomendação dos nossos maiores, que nos respeitam o livre arbítrio e nos estimulam o crescimento e não os caprichos ou mimos, as viciações…

-Farei tudo que me pedir…

-Ouça seu coração…

No outro dia, ao acordar, Pedro se sentia tão diferente… Algo estava para acontecer e não sabia ao certo do que se tratava… Decidiu que precisava descansar uns dias, pensar um pouco antes de retornar ao trabalho. Convidaria também o neto para o almoço. Precisava estar mais perto dele, protegê-lo… Teve medo de perdê-lo e algumas lembranças da esposa lhe vieram à mente, constrangendo-o pelas promessas não cumpridas. Achava que sonhara com algo bom, mas não se lembrava… Estava bem, tranqüilo, mas com a sensação de estar em falta… Com quem?

Até a próxima semana!

Written by in: Aline Rangel |

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