por Aline Rangel
Dois dias se passaram após o episódio em que Pedro e a esposa desencarnada se encontraram. Seguindo, pela primeira vez, as recomendações médicas, ele resolveu ficar em casa, de repouso. A namorada atual propôs-lhe passar esses dias em sua companhia, dando-lhe assistência, mas ele foi enfático no desejo de ficar só, acompanhado apenas do neto e dos filhos nos horários das refeições. Clarice sentiu-se mal com este afastamento, fantasiando estar o vaidoso Dr. dispensando-lhe para aproximar-se de outra beldade, mais nova ou mais interessante que ela. Tal perspectiva deixou-a muito incomodada, mas não daria o braço a torcer. Não era mulher de se deixar abater por isso, até porque, assim como ele, poderia escolher o parceiro que quisesse. Estranhou-se, neste momento reflexivo, porque sentiu uma dorzinha no coração… “Não era dada a esse tipo de apegos… O que estaria acontecendo?” Aproveitaria este tempo para avaliar o que se passava consigo. Talvez marcasse sessão extra com analista, a fim de tratar desta “novidade”.







