fev
15
2010

Onde está seu sonho?

por Aline Rangel.

Os dias de folga do tão esperado e festejado carnaval viriam bem a “calhar” para Luzia. Sem programação de viagem ou de festas, a recém-formada fisioterapeuta aproveitaria o tempo livre para descansar do ritmo acelerado de trabalho… Precisava colocar as idéias em ordem, queria dormir sem hora para acordar, gostaria de ler um pouco… Nossa, as amigas diriam que estava louca, mas ela sabia que necessitava de alguma coisa diferente neste período. Saía cedo, almoçava  perto de um dos trabalhos e, em seguida, dirigia-se a outro emprego. Estava matriculada num curso de aperfeiçoamento, o que fazia com que dedicasse duas noites da semana aos estudos complementares da área que havia escolhido para se especializar. Nos finais de semana… Precisava estudar! E havia também os pacientes particulares… Todos diziam que era sortuda, que tudo para ela acontecia rápida e facilmente, mas poucos se davam conta dos investimentos que fazia, dia após dia, das noites mal dormidas, da correria de ir de um trabalho a outro com pouco tempo para almoçar. Estava exausta, todavia precisava provar para a família de médicos renomados, endinheirada e tradicional, que sua escolha houvera sido acertada, que não “morreria de fome”, que seu “fazer” tinha valor…

Estava desanimada e não sabia o porquê. Seus planos estavam bem traçados!  Com muito pouco tempo de formada, já atuava com dois bons vínculos profissionais! “O que estava acontecendo para estar tão sem esperança?” Em meio aos pensamentos que não lhe davam sossego, sentiu-se sonolenta e desistiu de “dar uma arrumadinha”no quarto para tirar um cochilo. Riu-se daquela vontade estranha, pois nunca dormia durante o dia. Mas não resistiu, vendo sua cama um tanto aconchegante, a chuvinha fina lá fora, os dias sem correria que teria pela frente… “Que soninho bom…”, pensava, já bem menos acelerada para sua surpresa. O sono pesado tinha uma função inesperada… A mentora espiritual de Luzia havia induzido esta sonolência “fora de hora” a fim de conversar com a pupila desdobrada.

-Minha querida, precisamos conversar. Mas como será um encontro breve,  peço que esteja bem atenta ao que vou dizer, para que conserve em sua memória, ao acordar, o conjunto de idéias que irá diluir seus principais conflitos atuais.

Luzia estava em estado de graça… Olhava fixamente para Lúcia, em estado de  transe, sentindo um bem-estar intraduzível… Como era bom estar ali, diante daquele ser amoroso e acolhedor, que parecia conhecer melhor do que ela mesma tudo que se passava em seu coração…

-Minha filha muito querida e amada, o que tem feito com seu sonho? Sabe que não há qualquer problema em ser reconhecida, em ter prestígio na carreira que escolheu tão acertadamente. Além disso, os recursos materias que advém de trabalho sério e destinado ao bem são abençoados… Mas sua angústia em ser aprovada pelos seus, a quase obssessão em lhes provar o equívoco na avaliação que fazem acerca do caminho que escolheu têm tirado a paz que necessita para realizar bem as tarefas com que se comprometeu antes de reencarnar… Ouça mais seu coração… O seu cansaço é reflexo das expectativas exageradas que criou, como defesa ao desamparo que sente por ver seus afetos virando as costas para seu ideal. Esta é uma escolha deles, que tem de respeitar… Outros corações, mais afinados com o seu, virão ao seu encontro, para apoiá-la nas iniciativas fraternas que aguardamos para logo. Fique em paz, meu bem… Você não está só.

A jovem fisioterapeuta chorava agradecida… Seu coração estava totalmente alimentado naquele momento, de uma forma que não saberia explicar… Estava sendo preparada para voltar ao corpo e procurava guardar o máximo que pudesse do que estava sentindo e vendo, a fim que a esperança permanecesse consigo… Despertou repentinemente com o toque do telefone cellular e olhou em volta, como se ainda houvesse alguém ali… Não se lembraria do que presenciara, mas a sensação de paz e conforto ficariam como inspirações naquele que seria um carnaval um tanto diferente….

Até a próxima semana!

Written by in: Aline Rangel |

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