jan
13
2010

Tirando uma Folga de Si.

por Aline Rangel.


Tomado de tristeza e desânimo profundos, num daqueles dias em que tudo parece cinza, Lucas optou por tirar uma folga de si mesmo. O que lhe soava estranho e mesmo risível havia sido orientação de seu terapeuta no último contato que travaram, há dois dias. Estava num momento crítico da vida: questionava-se a respeito do caminho profissional que escolhera, do relacionamento afetivo que mantinha há cinco anos, das posturas diante da família (especialmente com o pai, com quem tinha um vínculo intenso e difícil)… As relações de amizades, algumas de infância, pareciam-lhe desgastadas, e as ideias sobre religião, Deus, vida espiritual já não respondiam às perguntas que, de uns tempos pra cá, se faziam mais insistentes. “Será que estamos tendo tanto trabalho para simplesmente nascer, crescer, reproduzir, morrer e ganhar o céu ou o inferno, independente das dificuldades que tenhamos tido, das chances maiores ou menores de acertar?… É trágico, cômico ou indiferente viver?”

A psicoterapia fora sugestão de sua companheira, que fazia uso deste serviço já  há algum tempo. No início achou que aquela história de pagar alguém para ouvir seus problemas era, no mínimo, uma “frescura”, mas estava chegando à conclusão de que fazia sentido colocar-se em reflexão e sob avaliação, especialmente de si mesmo. “Mas esta recomendação de tirar uma folga de si foi até engraçada…” “Como é que se faz isso?”, pensava enquanto colocava roupa confortável para dar uma volta. Cansado do paletó e da gravata, que lhe soavam mais armaduras do que propriamente elegância; esgotado com as expectativas suas e dos outros, que lhe pesavam os ombros, apontando caminhos que já nem sabia serem realmente seus; entristecido com valores que lhe sufocavam as expressões singulares e forçavam julgamentos e críticas vazias; irritado com a ausência de respostas mais coerentes, mais bem fundamentadas sobre a vida e nossa presença por aqui, Lucas saiu sem saber o que realmente pretendia naquele dia. E isso, além de novo, era tão bom, tão libertador! O que será que o aguardava?

Bem, prezado amigo, cara leitora… Não sei se vai gostar da notícia, mas esta não é propriamente uma daquelas histórias com início, meio e fim… Tudo indica que o dia de Lucas foi bem interessante e curioso, mas deixo a cada um a tarefa de continuar esta história, que pode ser de qualquer um de nós. Que tal dar um tempo de si para se conhecer melhor? Além de imaginar o que se passou com o personagem deste “causo”, por que não se colocar esta proposta e arriscar vestir-se, portar-se, pensar diferente? Sair do previsível sobre o que se quer da vida, dos outros, do futuro, do presente… Deixar um pouco de lado julgamentos,  certezas, dúvidas. Tão acostumados com o que pensamos ser, mantemos escondidas verdadeiras pérolas sobre o que podemos nos tornar! (*) E a felicidade, onde está? Na repetição do que disseram ser o melhor para nós? A verdade parece estar tão perto e tão distante ao mesmo tempo… Está no imo de cada coração, pedindo mais essência, mais consciência, mais confiança, mais entrega, num belo e generoso convite a que estejamos mais próximos de Deus.

Até a próxima semana!

(*) Recomendo enfaticamente a leitura da mensagem: “Ruptura Paradigmática Fundamental”, Benjamin Teixeira pelo espírito Anacleto.

Written by in: Aline Rangel |

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