dez
14
2009

Estranha Surpresa.

por Aline Rangel.


Mariana terminara de arrumar os presentes de Natal já de madrugada. Não acreditou quando viu o despertador do quarto marcando perto de quatro e meia. Nem sentiu a hora passar! Estava tão bem, realizada, que nem cansaço sentia! Nunca experimentara sensação parecida… Era o primeiro ano como voluntária em conhecida instituição de apoio a crianças residentes em bairro muito pobre e violento da capital onde morava. Este havia sido um ano muito intenso e diferente… Atravessou uma crise existencial que, por muito pouco, não a tirou literalmente do eixo. Recebeu ajuda de uma colega de profissão (era médica) que gostava de “assuntos espirituais”, embora não se dissesse vinculada a nenhuma religião oficial, e de lá pra cá sua vida se modificava bastante. Viu-se em meio àqueles embrulhos tão emocionada! Era bom mesmo fazer algo pelo outro sem esperar nada em troca.

Mas nem tudo estava resolvido em sua vida… Acordou assustada com um telefonema anônimo, dizendo-lhe para ter cuidado. Estava sendo seguida, fotografada, vigiada há alguns meses. Ficou atônita, tentou saber mais alguma coisa, mas foi em vão… Ligou para uma amiga advogada, contou-lhe o acontecido e ficaram de acionar um conhecido do alto escalão da segurança pública. O que estaria acontecendo?  Logo agora que tudo parecia se mover mais tranquilamente, que finalmente voltava seus olhos para o outro mais necessitado, que se fazia mais receptiva a Deus e os “mistérios”  do além… “Por que não tinha um pouco de paz? Quem teria o interesse em persegui-la desta forma?”, perguntava-se intimamente. Ficou ansiosa, começou a chorar e sentir-se novamente sozinha. Dizia de si para consigo que estava embarcando uma ilusão mesmo. “Não era possível que existisse algo além do que podia ver, muito menos proteção e essas coisas que se dizem para pessoas frágeis que querem passar a responsabilidade das próprias vidas para algo superior…”

Em meio a um surto de desespero, seu telefone toca e ela, num sobressalto, atende sem ver o nome contato registrado no identificador de chamadas:

-Alô? Quem está falando? – Chorava e falava ao mesmo tempo.

-O que aconteceu, Mariana? É Lúcia! Estou ligando porque senti que precisava de ajuda! O que foi?

Mariana, bastante chorosa, falou do telefonema, do que sentiu na hora e depois, da sensação de insegurança, de desamparo, angústia… Estava triste, confusa, sem entender o que estava se passando. A amiga, sob inspiração de sua mentora desencarnada, começou a acalmá-la, dizendo-lhe aguardasse a atuação de seus amigos ligados à justiça. As palavras vinham com muita força e serenidade e o coração de Mariana se tranquilizava, surpreendentemente… Não entendia bem o que estava reservado para ela, nem conseguia saber que outra providência tomar. Deixou-se estar ouvindo a voz de sua amiga querida, mais doce, um tanto diferente do habitual, até que se sentiu completamente bem. Combinaram de se encontrar mais tarde, após a conversa que teria com a advogada sobre as instruções para lidar com o estranho fato de ser ameaçada sem qualquer motivo aparente. Descartaram a possibilidade de trote, por conta da maneira como as informações foram passadas, mas sabiam que era algo absurdo.

Uma presença amorosa e familiar acompanhava tudo, envolvendo Mariana com energias calmantes e revitalizantes, já que houvera dormido pouco e precisaria estar bem e atenta para as orientações que receberia. O coração de sua avó desencarnada estava em paz, por conta dos avanços que sua pupila houvera feito no último ano. Tudo acabaria bem, ela sabia… E tudo ficaria muito melhor!

Até a próxima semana!

Written by in: Aline Rangel |

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