nov
09
2009

Encontrando a Paz.

por Aline Rangel.

Marcos e Otávio conheciam-se há vinte anos. Foram muito próximos na adolescência, separaram-se durante a juventude – escolheram universidades em estados diferentes – reencontrando-se já na casa de trinta anos quando resolveram, “coincidentemente” ao mesmo tempo, retornar à cidade natal, bem menor que as capitais em que residiam, mas com melhor qualidade de vida. A surpresa de ambos não era pra menos! Como esperar que isso acontecesse? O encontro, por acaso, em um supermercado foi caloroso e longo! Ficaram conversando animadamente, ali mesmo e depois num café bastante charmoso e acolhedor.

O fato de morarem em grandes centros, de fazerem viagens internacionais para realização de cursos, de experiências profissionais e afetivas variadas haviam conferido aos dois boa bagagem de experiência. Muito inteligentes e criativos em suas respectivas áreas de atuação, estavam muito bem sucedidos. Marcos era mais sociável, muito aberto e não convencional. Otávio mostrava-se mais reservado e tinha um traço conservador, mas também era muito afeito a propostas vanguardistas. O primeiro levava a sério a busca espiritual, acreditava em vida após a morte, lia bastante a respeito e gostava particularmente dos relatos de experiência de quase morte. Conhecia um caso bem próximo, vivido por um professor a quem muito admirava – forte experiência que chamou sua atenção para uma realidade além desta. Já Otávio não apresentava interesse especial por este assunto, pelo menos até então…

Depois daquele e de outros encontros, perceberam que o sentimento que os unira na adolescência, confuso, marcado pelo medo, pela angústia da diferença, pelas mais variadas formas de discriminação e ameaças de violência, pela invisibilidade ainda estava presente. Conheciam muito da vida, e por isso sabiam que agora era diferente. Aliás… sempre foi algo diferente! Perguntavam-se por que haviam ficado este período distantes um do outro e ao mesmo tempo ficavam surpresos ao pensarem no reencontro… Que curioso, interessante! Na verdade, as experiências vividas durante a separação – muito bem planejada no outro plano – haviam conferido a ambos mais maturidade para lidar com situações complexas com as quais se comprometeram antes de reencarnar. Eram espíritos amigos de longa data, muito afinados! Programaram com seu mentor espiritual que viriam homossexuais, iriam se casar, adotar dois filhos (espíritos vinculados a Marcos) e participar de um projeto social, dando assistência a crianças órfãs e abandonadas. Muito amorosos e firmes, eram corações especialmente preparados para assumir a dificílima tarefa de educar filhos e orientar crianças carentes. Cada um portava características, tanto positivas quanto negativas (para nossa perspectiva), que muito auxiliariam as almas sofridas e difíceis com quem teriam contato.

Em quatro anos, uma parte destes compromissos já haviam sido iniciados. Um longo processo para adoção da primeira criança estava sendo concluído e o trabalho voluntário em uma instituição localizada em um bairro da periferia da cidade já compunha a rotina do casal. Não foi nada fácil encontrar um lugar em que pudessem colocar em prática o projeto que haviam formulado… O preconceito fechou inúmeras portas que precisavam de ajuda e que muito seriam beneficiadas pela presença de almas tão especiais como aquelas. Mas estavam no lugar “certo” agora e os pequeninos que ouviam suas histórias semanalmente e que aprendiam sobre amor, fraternidade, respeito à diferença eram pouco a pouco tocados e estimulados em seu lado melhor. Muito havia por se fazer e eles estavam bem conscientes disso. Entre dificuldades e dores, sorrisos e esperança no futuro, Marcos e Otávio transformavam sofrimento em oportunidade de transformação para melhor, fazendo não somente a sua, mas também a felicidade de muitos outros corações.

Até a próxima semana!

Written by in: Aline Rangel |

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