nov
02
2009

Amor e Partilha.

por Aline Rangel.

Interessante como a vida, em sua complexidade e sabedoria, pode nos surpreender, em situações aparentemente prosaicas, mostrando-nos novas formas de ver e sentir o mundo, de perceber a realidade que nos cerca… Luana e Marcos trabalhavam na mesma empresa há um ano. Responsáveis por setores diferentes, ambos no comando de equipes, eram bastante elogiados pela diretoria, bem como pelos usuários do serviço prestado na área de telecomunicações. Encontravam-se apenas em reuniões e, poucas vezes, em breves comemorações proporcionadas por empresas parceiras. Cumprimentavam-se cordialmente pelos corredores, mantinham um bom nível de diálogo nas decisões em que eram chamados a participar, mas nada muito especial. Ela era relativamente expansiva, estava casada há dois anos, não tinha planos relacionados à maternidade e dedicava-se à carreira quase que integralmente. Reservava algum tempo para o lazer, tinha um relacionamento sofrível com o companheiro, mas nada disso a preocupava significativamente, já que seu objetivo era crescer cada vez mais na profissão. Ele era bastante reservado. Pouco se ouvia a respeito de sua vida particular, apenas que houvera terminado um casamento de sete anos, recentemente, de forma pacífica, e que também não tinha filhos.

O mês de dezembro estava sendo particularmente lucrativo naquele ano e o volume de trabalho, que já sobrecarregava os funcionários, estava muito maior. Diretores, coordenadores e demais empregados estavam exaustos e as primeiras conseqüências do estresse a que estavam submetidos começaram a aparecer. Faltas ao trabalho por conta de breves e constantes enfermidades, reuniões mais tensas, menos cordialidade nos cumprimentos… Luana começou a ter dificuldade para dormir, a chegar sempre cansada e terminar o dia com o corpo dolorido. Um desânimo… “E logo agora que as coisas estão acontecendo! Como poderia contornar isso?” Estava particularmente tensa, quando foi convocada para uma reunião em caráter de urgência e, ao dirigir-se à sala dos diretores, lembrou-se de não ter trazido importante relatório a ser entregue naquele dia, o último do prazo com que se comprometeu. “Droga!” “Como pude ser tão relapsa!” Avisou ao chefe que precisaria retornar a sua casa e saiu chateada consigo em direção ao estacionamento. Lá chegando… “O pneu furado!” “Mas só me faltava essa!”

Marcos estava saindo para fazer uma visita a cliente importante quando percebeu a colega de trabalho parada no estacionamento, visivelmente contrariada… Foi prestar socorro e ofereceu-lhe carona a sua casa, para que adiantasse o que precisava fazer, enquanto um funcionário poderia cuidar do carro. No caminho, eles conversaram pela primeira vez e ambos se surpreenderam com o tom agradável do papo, despretensioso, numa situação tão crítica. Ele também estava esgotado, questionando os planos que havia traçado para o futuro profissional. O caminho era razoavelmente longo, em função do tráfego complicado das grandes capitais, o que possibilitou que pudessem desabafar um pouco e conhecer algumas significativas afinidades. Despediram-se com uma sensação de leveza “estranha” para o contexto em que a conversa havia começado, mas ambos não só gostaram como resolveram repetir a dose no outro dia, à hora do almoço. E no outro dia também…

Envolvidos pelos gostos em comum, pelas fantasias de infância, pelo prazer em conversar longamente, pelos novos projetos profissionais (estavam planejando nova área de atuação em que seriam sócios), perceberam-se apaixonados. A esta altura, o casamento frustrante de Luana já havia chegado ao fim e as breves recaídas de Marcos com a “ex” não mais aconteciam.  Num período tenso e cansativo, num dia complicado em que tudo parecia dar errado houve um encontro que mudou a vida de ambos. Não somente pelo ganho afetivo, que foi fantástico, mas pelas idéias, iniciativas profissionais que precisavam fazer e que, a partir daí, fluíram de maneira prazerosa, porque ambos estavam abertos ao novo, ainda que experimentando dificuldades – o que é humano! Sociedade, novo casamento, filhos, muitos planos… Muito trabalho, sem dúvida! Mas a sintonia do amor-partilha os têm mantido unidos pelo melhor que podem sentir pelo que fazem, pelo outro, pela vida… Felicidade… Sim! E pode estar bem perto… O cotidiano nos faz tantas surpresas!

Até próxima semana!

Written by in: Aline Rangel |

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