por Aline Rangel
Sentir-se insatisfeito com aspectos da vida que precisam ser melhorados é normal e até mesmo desejável, uma vez que indica atenção e critério com a própria existência, no reconhecimento de limitações (pessoais ou circunstanciais) que precisam ser avaliadas e superadas. Entrar em contato com a insatisfação, auscultar-lhe os alertas necessários, investir em soluções práticas para dissolver o mal-estar e alterar o que não está funcionando bem e perceber-se em movimento de mudança é o que se espera de adultos, pessoas responsáveis por si e pelos compromissos que assumem diante da vida. Todavia, quando esta sensação se torna sistemática, impedindo que se sinta gratidão e felicidade pelo que se tem de bom, produtivo, positivo nas diversas experiências por que se passa, dificultando uma vivência minimamente saudável com as pessoas, distorcendo gravemente a percepção dos acontecimentos a ponto de torná-los sempre negativos, importantíssimo reconhecer tal postura como um problema que precisa ser tratado em sua gravidade.
Trata-se de algo bastante comum o que se está, ainda que superficialmente, apresentando aqui. É o caso de quem sempre acha que o (a) parceiro (a) poderia ser melhor, o trabalho mais estimulante, o relacionamento familiar mais fraterno, as amizades mais sinceras, a residência mais confortável, o meio de transporte mais eficiente, a cidade onde mora mais estruturada, a escola dos filhos mais bem equipada, o computador mais veloz, a conta bancária mais interessante… Tantas exigências, cobranças, lamúrias, reclamações excessivas e, normalmente, nestes casos, muito pouca iniciativa em se fazer melhor. Existem, sem dúvida, as reivindicações justas, uma ou outra reclamaçãozinha num dia mais estressante ou menos bem-humorado, como também o olhar crítico saudável diante do que precisa ser corrigido. Isso é bem diferente… O que se está discutindo aqui é o vício de sempre desejar, para ser feliz, o que não se tem ou não se vive, como se as coisas, as pessoas, as conquistas nunca fossem o bastante.
Cabe, portanto, refletir acerca do momento existencial por que se passa e avaliar em que nível, ou em que áreas pode se estar agindo desta forma, deixando de atribuir o devido valor aos benefícios a que se tem acesso continuamente. Valorizar o que se tem, o que se vive, o que se conquistou não é o mesmo que acomodar-se às circunstâncias, numa postura preguiçosa e negligente. É reconhecer no presente motivos de contentamento, de bem-aventurança, agindo de forma mais justa com a vida e seus Divinos Desígnios e respeitosa com aqueles que, direta ou indiretamente, estejam encarnados ou não, muitíssimo à frente de nós ou bem perto em termos evolutivos, contribuem com o progresso, a felicidade e a paz humanas.
Até a próxima semana!







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Que texto elucidativo, Aline! Parece-me que podemos – e devemos – atuar em duas frentes: a de estar em paz no que temos e com o que temos (reverenciando a Deus por isto) e a de nos movimentarmos em busca de nossos melhoramentos (para não nos acomodarmos), sem, com isso, menosprezarmos o que já possuímos e o que somos. Nossa! Valeu mesmo! Que lindo! Abraços, Taís.
Obrigada, Caros Sérgio e Luidje!Que bom que gostaram do texto! Muito feliz por estar sendo útil!
Abraço carinhoso,
Aline.
Muito boa reflexão! Faz-nos atentar para a importância da gratidão tanto em relação ao que nos é agradável como ao que nos estimula o crescimento. Inspira-nos também a identificar a insatisfação que se faz positiva, na medida em que se converte em ações construtivas em busca de nossa felicidade. E deixa o alerta para a sua forma degenerada, a qual nos leva ao vício da reclamação e à paralisação.
Obrigado sempre e parabéns!
Luidje
Afinal, devemos reconhecer que, em prece, temos muito a agradecer e muito pouco a pedir, se considerarmos todas as beneses com que somos agraciados dia após dia de nossa existência.
Parabéns pelo texto, Aline. Como sempre, agradável e esclarecedor.