por Aline Rangel.
O dia era claro, quente e agradável. Vera andava a beira da praia, sentindo a brisa suave que tornava o sol mais acolhedor. Tantos pensamentos a atordoavam que ela mal podia perceber o quanto estava encantadora aquela tarde, o quanto aquele despretensioso passeio podia trazer paz e conforto ao seu coração. Havia sido inspirada por sua mãe espiritual desencarnada, que a assistia do Plano Superior, a “dar uma volta”, “esfriar a cabeça”, “sozinha”… Não entendia muito bem o porquê de ter sentido aquela vontade de estar ali, mas estava chegando à conclusão que houvera sido uma boa idéia, já que não se lembrava da última vez que estivera em conversa íntima consigo. Desde a adolescência deixara o hábito de escrever em diários, de sonhar acordada. Não havia mais tempo para divagações. Curiosamente estava se sentindo bem por estar ali, “sem fazer nada”, como se aquele momento fosse especial… “Devia ser bobagem – ela pensava- apenas uma forma de justificar esta fugida de tudo, de todos… Menos de si mesma.”






