jul
21
2009

Necessidade de Afeto.

por Aline Rangel.


“Está com fome espiritual, com sede de afeto? Alimente-se. Torne-se você mesmo a fonte d’água pura, para si, e ainda contemple, feliz, tornar seu coração uma fonte de felicidade, paz e conforto, para inúmeras outras criaturas.”
(*1)

Discutir a questão do dar e receber afeto é importantíssimo para que melhoremos nossas relações interpessoais, bem como o contato que mantemos com nós mesmos. Podemos, para efeito de estudo, direcionar nossas reflexões para dois pontos fundamentais, a saber: a necessidade humana de amor e os abusos cometidos pelos que não vivem de maneira saudável esta necessidade. Sobre o primeiro ponto, valioso considerar as palavras da mestra desencarnada acerca de como podemos nos alimentar de amor: “As pessoas não precisam, propriamente, ser amadas. Precisam de amor. Apenas deduzem  elas que o conseguirão por meio do amor que os outros lhe devotem, ou, em outras palavras ainda: o respeito, o medo, a submissão ou o prazer ofertados por terceiros, conceitos estes, lamentavelmente, ainda mais distorcidos da verdade fundamental da fome de afeto.” (*2)

Seguindo sua apresentação magnífica das possíveis expressões de amor a da relação que podemos estabelecer com as mesmas, Eugênia destaca um paradoxo: “o amor para ser recebido não precisa ser recebido.” A lição mais significativa está justamente neste ponto! O amor, em sua expressão mais legítima, expande-se à medida que é ofertado, multiplicando-se ao ser partilhado sinceramente. Além disso, preenche verdadeiramente o coração daquele de quem parte, uma vez que nossas necessidades mais profundas não podem ser atendidas por ninguém melhor do que nós mesmos, que podemos filtrar o que provém de Deus para atender o de que nossa alma precisa. Segundo Eugênia,“(…) no simples ato de dar amor, alguém se abastece do combustível essencial para sua psique, nutrindo a si e a uma legião de criaturas que esteja em seu círculo direto ou indireto de influência pessoal.”

Neste processo de abertura ao amor, em se considerando que somos humanos e que a experiência de estarmos encarnados nos limita as expressões amorosas mais livres de preconceito, discriminação, e mesmo dos receios justos de que não sejamos compreendidos ou respeitados em nosso esforço sincero de doação, imprescindível considerar a questão do abuso. A respeito disso, Temístocles faz abordagem primorosa. Apresenta muito objetivamente uma solução para os que se percebem em relações descompensadas: afastar-se de quem não lhe reconhece os esforços de doação sincera e não retribui com justiça o que lhe é ofertado. Este alerta é deveras importante porque, nos contatos humanos mais íntimos, onde costumamos nos sentir inclinados a oferecer nossas expressões mais caras de afeto como demonstrações de amor, é bastante comum haver desconsideração, manipulação e abuso de poder, através da culpa (principalmente).

O grande professor desencarnado apresenta de maneira firme sua proposta de renovação e estabelecimento de vínculos mais saudáveis, auxiliando-nos a nos colocarmos diante da vida de maneira mais generosa, sem que isso nos custe o coração em frangalhos. “Se prestar atenção, há carência em toda parte. Receptores e famintos de amor é o que nunca faltará. (…) A mercadoria do afeto é preciosa demais, para que você perca tempo intrigando-se com o coração que não lhe deseja as expressões de estima.” (*3) Cabe ressaltar que não se está tratando aqui dos vínculos complexíssimos que unem pais e filhos, especialmente se consideramos os vários níveis dependência destes em relação àqueles nas fases de infância e adolescência. A maternidade e a paternidade são excelentes escolas da alma para o exercício do amor incondicional, com necessidades específicas de estabelecimento de limites, que não serão tratados neste artigo. O que se pretende destacar é que manifestações de doação absolutamente desinteressadas, incondicionais caracterizam o comportamento de almas com maturidade e evolução suficiente para não se maltratarem em expressões espetaculares de amor. Para quem ainda está nas primeiras letras, cabe o exercício de oferecer o melhor, dentro do possível, ampliando sempre as manifestações de afeto com o maior número de pessoas.


(*1) Extraído do texto “O Alimento Fundamental.”, Benjamin Teixeira pelo espírito Eugênia, disponível no site www.saltoquantico.com.br.
(*2) Idem. As demais citações a Eugênia referem-se ao texto mencionado.
(*3) Extraído do texto “Cansado do Abuso.”, Benjamin Teixeira pelo espírito Temístocles, também disponível no site.

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