jul
13
2009

Entre o Ideal e o Real.

por Aline Rangel.


“Se não se pode viver o ideal, que se viva o real. Não se chega ao transcendente sem ter-se vivido em plenitude o imanente. Não pode haver santidade sem sanidade, não pode haver moralidade maior, criando-se desajustes psicológicos. O desequilíbrio emocional inviabiliza o processo de espiritualização do indivíduo. Comece-se com pouco, e faça-se isso sempre, aumentando, se possível, mas sempre respeitando a estrutura evolutiva em que se encontra. Deus não quer que se faça muito, Deus quer que se faça bem.”(*)

Na busca por evolução, crescimento e melhoria espiritual, é possível que confundamos o esforço necessário aos processos conscientes de auto-superação, com o desejo egóico de forçar-se uma mudança sem que haja estrutura para sustentá-la e mesmo, diríamos, para efetivá-la. A maturidade está em se reconhecer os limites, os aspectos destrutivos, os elementos pouco desenvolvidos e mover-se no sentido de dar uma utilidade construtiva aos mesmos, num primeiro momento, mantendo-se o investimento constante por modificá-los para melhor. Não adianta precipitar-se, adotando de forma superficial comportamentos, posicionamentos, avaliações que não estejam alinhados com o que entendemos como mais apropriado para uma dada circunstância em nossas vidas.

Isso não quer dizer que se esteja agindo de maneira desonesta, pelo menos em termos conscientes, mas sim de forma imatura. Mudanças significativas, como já foi descrito e analisado minuciosamente em diversas mensagens dos mentores desencarnados do Salto Quântico, acontecem à base de muito investimento, muito trabalho, consumindo tempo e recursos variados. E quando se trata da dimensão espiritual, que poderíamos considerar fonte de inspiração para os demais departamentos da existência, mais cuidadosa deve ser a avaliação acerca do quanto se faz necessário e possível renovar, transformar. Começar com pouco, mas com empenho e disciplina em mantê-lo constante tem sido a recomendação da Grande Mestra. Deixar de fazer o que se pode é negligência e nos compromete na medida em que não usufruímos devidamente do que nos foi confiado, mas adiantar-se (superficialmente) em processos complexos é desmerecer o valor dos mesmos, trazendo-nos conseqüências indesejáveis e muitas vezes perigosas.

Lidar respeitosa e conscientemente com nosso desenvolvimento espiritual é importantíssimo para que aproveitemos melhor os recursos que nos são misericordiosamente ofertados. Quando assumimos o que verdadeiramente somos, sem os excessos das neuroses de desvalia pessoal, mas também sem os exageros da pretensão de superioridade sobre os outros, aproximamo-nos do que Deus espera de cada um de nós. Aprendemos a ouvir o coração e a seguir o fluxo, responsáveis pelo que nos cabe, mas também confiantes na vida e em seus divinos processos de criação.

(*) Trecho da mensagem “Estudo sobre a Contradição”, Benjamin Teixeira pelo espírito Anacleto, extraído do livro “Em Busca do Si” e disponível no site em 18 de fevereiro de 2001. Este foi o tema das reflexões feitas no último sábado no grupo de estudos.

Written by in: Aline Rangel |

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