por Aline Rangel.
Lucas chegou à casa do avô cheio de novidades naquela noite. Estava eufórico com o que aprendera no colégio sobre “o respeito às diferenças”, na aula de cidadania. Matriculado em escola de excelente qualidade, o pequeno tinha acesso à educação privilegiada. Marina, a nora de Dr. Pedro, era mãe cuidadosa e muito responsável. Escolheu para seu único filho um ambiente não propriamente dos mais caros, mas sim dos mais avançados em termos de modelo educacional. Sem prejuízo quanto aos conteúdos a serem transmitidos, havia a proposta de uma formação mais ampliada, que incluía aulas de cidadania, por exemplo, já nas primeiras séries. Temas como preconceito, discriminação, liberdade, ética eram trabalhados desde cedo, além de serem realizadosprojetos para elaboração de emoções e sentimentos infantis relacionados à família, aos colegas, à própria imagem. Ela e o marido estavam muito satisfeitos com os efeitos positivos da escolha, bastante visíveis no desenvolvimento do filho que fora esperado com muita ansiedade. Dr. Pedro não se envolvia com essas coisas… Havia problemas reais com os quais precisava lidar. O dinheiro, para ele, garantia educação primorosa, independentemente das “propostas pedagógicas”. A escola mais cara, obviamente, era amelhor!





